Estamos constantemente submersos em uma sensação de desamparo, mesmo que às vezes sentimos ser alguém autossuficiente e imune a isto. É um sentimento que nos ronda desde o momento que nascemos e saímos de um estágio de conforto e aconchego para a atmosfera fria e inóspita da vida.

Passamos dia após dia tentando confirmar e reafirmar as sensações de proteção e amparo que nos cercam, até nos detalhes mais cotidianos, como, ser correspondido na mesma intensidade em uma conversa de WhatsApp ou escutar um “se cuida” de quem gostamos e até mesmo o conforto de um beijo na testa, enfim, uma reciprocidade que se manifesta diariamente, gerando aconchego e felicidade genuína.

A partir do momento que algum fato interrompe essa rotina de amparo, nos sentimos desabrigados, doloridos, desamparados. Basta uma mensagem visualizada e não respondida ou uma despedida fria sem um adeus carinhoso. E por mais que a vida esteja constante tentando nos ensinar que a tendência é sempre, de alguma forma, nos sentirmos assim, ela não ensina que há uma forma menos dolorosa de lidar com isso.

O primeiro passo é entender que os sentimentos de desamparo não são uma fraqueza e não indica que somos vazios ou falhos, só demonstram que somos humanos. É uma sensação inerente do ser humano, que estamos predestinados a sentir pelo menos em algum momento da vida. Perceber isso significa aceitar nossa condição humana e não nos culpar por esse sentimento inconstante que é o sentir-se desamparado.

Por fim, é preciso entender que quase sempre é uma sensação e não que você de fato esteja desamparado. Procure constantemente se lembrar que existem pessoas que realmente se importam, que vão te segurar se você cair, que vão estar lá quando você mais precisar, que nunca te abandonariam, são essas pessoas que realmente valem a pena.

Então, quando se sentir assim, se questione, eu estou mesmo desprotegido? As pessoas realmente não se importam? Esse sentimento de desamparo é real? Assim você talvez perceba que só se sente assim porque se vê abandonado por quem você queria que se importasse e não porque não existe pessoas que realmente se importam.

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Natanielly Afonso
24 anos, graduanda em Letras Português pela Universidade Federal de Goiás, pesquisadora na área de Literatura Goiana, ilustradora e colunista da Coração de Elástico.