Às vezes o amor que sinto por você é tão intenso e inconsequente que adormece a parte racional do meu corpo. Quando as coisas dão errado eu começo a me culpar e acreditar que eu não estou fazendo tudo que posso para nós, vejo erros que não fui eu quem cometi, acabo pedindo desculpas mesmo sabendo que o erro foi seu.

Eu acabo esquecendo que o amor é uma via de mão dupla. Não dá para uma pessoa só carregar todas as exigências do amor. Porque o amor é isso, exigente, precisa que as duas partes se doem na mesma medida, no mesmo compasso. Se uma dessas partes se perdem no meio do caminho, a outra pode se esforçar ao máximo, pode tentar jogar tudo nas costas e correr essa maratona toda sozinha, que mesmo assim, ela não conseguirá manter o amor vivo. E por não conseguir, não deve se culpar.

Por isso preciso parar de me culpar por você não estar no mesmo compasso que eu, na mesma frase da mesma música, eu preciso enxergar que o erro não sou eu, o erro pode sim ser você. Eu sei que é difícil enxergar que o erro é você porque eu te pintei em uma tela de perfeição e te coloquei em um altar, eu te adorei, eu te venerei.

Mas o que eu preciso é perceber que você é tão falho quanto eu e em matéria de amor, talvez ainda mais falho, porque eu, eu tentei. Com todas as minhas forças eu tentei, eu quis amar você e talvez meu único erro foi querer que você me amasse de volta.

COMPARTILHAR

RECOMENDAMOS



COMENTÁRIOS





Natanielly Afonso
24 anos, graduanda em Letras Português pela Universidade Federal de Goiás, pesquisadora na área de Literatura Goiana, ilustradora e colunista da Coração de Elástico.